terça-feira, 30 de outubro de 2007

A Mulher Tarja Preta

Era mais uma sexta-feira no Rio de Janeiro e nosso artilheiro já previa uma bela partida. Depois do trabalho, passou em casa, tomou banhou, vestiu-se e partiu rumo ao gol. Naquele dia, uma amiga do nosso protagonista estava comemorando aniversário no Teatro Odisséa, na Lapa. E lá foi nosso craque, sempre propositivo e destemido.

Logo na chegada foi começando os trabalhos e pediu um chope: nada como o refrescante néctar de cevada para animar a disputa da famosa Copa do Mundo do flerte. Cumprimentou os amigos e a aniversariante. Bateu um pouco de papo aqui, acolá e antes que pedisse o terceiro chope avistou seu alvo: morena, alta e curvilínea! “Sensacional”, pensou nosso amigo, enquanto a observava dançando.

Mas, antes que pudesse puxar um papo com a moça, uma outra amiga resolveu alugá-lo. Sabe-se lá porque algumas mulheres adoram contar problemas com o ex em plena festa, numa sexta-feira, no Rio de Janeiro! Paciente, nosso Don Juan dos trópicos, ouviu os lamentos da mocinha e quando ela deu indícios de que começaria a falar dos problemas do “ex-ex”, pegou a tangente e partiu pro meio da pista de dança.

Alías, era lá que ela estava: A morena!

O primeiro contato foi o tradicional olhar “e aí, beleza?!”. Ela riu, levantou os braços e continuou dançando. Resoluto, nosso amigo partiu pra cima e puxou assunto. Depois de algumas frases em alto tom ao pé do ouvido, resolveram conversar num cantinho longe das caixas de som.

- “Você está sozinha?”, quis saber o craque.
-“É, minhas amigas foram embora”, disse.

O papo fluiu e pouco depois se entregaram aos beijos e abraços calientes. Conversaram sobre trabalho, música e as boas do final de semana, embora, por vezes, ela desse respostas que não se encaixavam nas perguntas. Lá pelas tantas, ela demonstrou aflição, fez cara de quem queria ir embora. O alvo daquela noite tinha um “tique nervoso”. Começou a coçar a nuca e morder o lábio inferior, ao esboçar uma despedida. Nosso camisa 9, então, tratou de sugerir uma esticada e ele sentiu que havia terreno para isso.

- “Fica mais um pouco”, pediu.
- “Eu preciso ir”, argumentou.
- “A gente podia dormir aqui pelo centro mesmo, o que acha?!”, soltou o protagonista recebendo um sorrisinho danado da moça.

Se agarraram, beijaram-se mais vezes e o fogo lastrou. Então, ela proferiu a frase que todos os atacantes das Olimpíadas da Azaração esperam ouvir numa hora dessas:

- “Vamos lá pra casa?!”

“É a glória, é o auge”, vibrou nosso personagem. Chegando na casa da mocinha, nosso amigo tratou de agir, atuando em todas as modalidades.

- “Ai, eu to quase naqueles dias. Não sei se vai ser legal”, disse, enquanto tomava um gole de água e um comprimido para dor de cabeça.
- “Eu que bebo e você que fica com dor de cabeça?”, brincou ele, para depois retomar os trabalhos: “Olha nem ligo pra essas coisas. Eu quero você”, retrucou.

No caminho para o quarto, ele reparou que duas prateleiras da estante dela estavam meio que quebradas, desarrumadas e algumas coisas no chão.

- “Ai, foi meu gato. Ele vive subindo aí”, justificou.

Gato, gata, bicho de pelúcia ou estimação pouco importava para nosso amigo. Ele só pensava no gol que estava por marcar. E a noite foi daquelas! A morena parecia não cansar e nosso amigo não esmoreceu, chegou junto. Que golaço!

De manhã, ele despertou lentamente e relaxaaaado. A moça estava ao computador fazendo algo. Ele a olhou, mexeu-se na cama. Ela percebeu os movimentos e foi em sua direção, deu um beijo no matador e caminhou para o banheiro.

-“Você é maravilhoso. Fazia tempo que não tinha uma noite dessas, finalmente bons ventos sopraram ao meu favor”, falou a presa.

Ela foi ao banho e enquanto isso, ele começou a preparar a camisinha para a próxima “partidinha”. Procurou na carteira, no bolso da calça e só depois lembrou que havia deixado uma ou duas em cima da cabeceira dela.

Esticou-se para pegar a embalagem do preservativo. A gaveta estava entreaberta e a camisinha acabou caindo dentro. A riqueza de detalhes desse momento pode até causar estranheza aos nossos leitores, mas serve para reconstruir o momento em que nosso centroavante viu o sonho virar pesadelo, quando nosso amigo sentiu-se naquele lugar onde “o filho chora e a mãe não ouve”. Dentro da gaveta, amigos, havia duas caixas de remédio: um era Diazepan, o outro Clorpromazina. Em volta da caixa uma enorme TARJA PRETA. O desespero de nosso baluarte aumentou quando ele deu uma rápida lida na bula do Clorpromazina, onde dizia: “substância anti-psicótica clássica ou típica. Sendo uma substância protótipa no tratamento de pacientes esquizofrênicos”.

- “Anti-psicótica? PQP... peguei uma Mulher Tarja Preta”, exclamou.

À luz da manhã, ele começou a reparar no interior do quarto da moça. Embaixo da cama havia livros de auto-ajuda. Levantou-se rapidamente e foi até à cozinha da Mulher Tarja Preta, também conhecida com MTP. Procurou no outro quarto e não achou nenhum gato. Foi até o computador e viu que havia uma janelinha do msn aberta. Nela, a última frase da MTP: “to saindo com um homem maravilhoso. Ele tá aqui em ksa.... axu que vai virar caso sério, amiga!”.

Nossa! A sensação foi a mesma que ser atingido por um “canhão” do Roberto Carlos (o lateral que ajeita meião em lances decisivos). Ele, então, parou para pensar na noite anterior.

- Será que realmente tinha alguma amiga dela lá? Ou será que ela é uma dessas loucas que vagam sozinhas? Ontem ela tomou remédio pra dor de cabeça ou será que era um desses tranquilizantes? Ela me disse que estava quase naqueles dias, ou seja: pode rolar uma TPM! Céus, imagine a MTP de TPM?!?!

Nosso craque não pensou duas vezes, antes que ele tivesse um surto psicótico diante de tantas dúvidas ou que ela saísse do banheiro gritando e com uma tesoura na mão, ele vestiu a calça e meteu o pé.

***
É, caros, essa foi por pouco! O protagonista até que achou a moça interessante Mas, analisando depois, percebeu que algumas coisas que ela falava não tinham nexo. Quando ele achou que havia encontrado uma mulher bonita, independente e “disposta”, descobriu que ela era também Tarja Preta. A MTP é aquela que além de ser louca, consegue te enlouquecer também, mas no sentido literal da palavra. Aí, não dá, né?! Como dizem por aí: “É difícil arrumar pouso nessa guerra dos sexos”.

10 comentários:

Caroline disse...

Apesar das piadinhas de mal gosto que vcs fazem a nós mulheres, o bolg tá legal... E esse texto tá mt bom! mais que a história! rs...
Vcs deveriam divulgar maiso blog. Outro dia vi uma reportagem na Record sobre blogs deste segmento: homem atacando mulheres e vice - versa...
Sorte pra vcs!

vanessa disse...

meu deus
rs
quando penso que já li de tudo!!!

rss

muito boa!!!!

Bete disse...

O que vocês querem afinal? Perfeição não existe huahaua
E outra, nem sempre tarja preta é sinônimo de loucura e esquizofrenia, ela pode ser apenas uma pessoa estressada e dependente de tranquilizantes. Os artilheiros se assustam com pouco huahaua

Anônimo disse...

JOVENS, JOVENS, JOVENS...

CONCORDO C A BETE, VCS ESTÃO SE ASSUSTANDO POR POUCA COISA, O VERDADEIRO ARTILHEIRO TEM Q TER MUITO PEITO P ENCARAR A SITUAÇÃO!!!

patriciab disse...

"E outra, nem sempre tarja preta é sinônimo de loucura e esquizofrenia, ela pode ser apenas uma pessoa estressada e dependente de tranquilizantes."

E desde quando isso é bom sinal? Uma pessoa dependente de tranquilizantes não é no mínimo desequilibrada?

Estava Perdida no Mar disse...

Sai fora dessa...faz bem mesmo. Manda ela sair com um psiquiatra.

Anônimo disse...

Putzzz...
tomar remédio TP NÃO significa comprometimento mental, nem desequilibrio psiquico, tem muitos outros tipos de doenças não psicológicas que levam alguém a tomar TP.
Ah o preconceito......

SheilaCampos disse...

Ahahahahahahaha!!! Acabo de conhecer o blog e adorei! Interessante ter a perspectiva de vocês nessas "idas e vindas" de homens e mulheres tentando se acertar!... Que "aventura", hein?!!! Acho que agiu certo: se sua intuição foi a de sair dali o quanto antes, seu instinto de autopreservação estava "gritando" - e cabe a você ouvi-lo. Há loucos dos dois lados; no meio, a gente tem que se defender - em todos os sentidos! Ahahahahaha!!! Boa sorte da próxima vez!!!

Anônimo disse...

A história tá exagerada !
Tranquilizante faz bem, sim, é escolha sua !
E não tem como una Tarja P. chegar a esse ponto! É abusurdo. Mas se é, mesmo, Tarja P., comemore!

BY: © Nícolas Níko.

Anônimo disse...

Ridiculo isso!!! Post preconceituoso e proprio de pessoa ignorante que nao sabe o que fala. Tive um tumor intracranian e em razao do tamanho e apos sua retirada fez com que eu passasse a tomar remedio "Tarja preta"... Isso nao comprometeu a minha capacidade fisica ou intelectual e muito menos emocional...Pelo contrario... O fato de tomar nao sifnifica que seja psicotica, esquizofrenica ou dependente de tranquilizantes... Isso significa que devo anunciar ao quatro ventos a minha historia? Nao... Ainda maia na primeira noite... Tenho certeza de que sou muito mais racional do que muitas "meninas que nao tomam tarja preta". Quanta ignorancia!!!Pensem nisso!!! Procurem saber o motivo pelo qual aquele menina usa os tais remedios para so depois tomarem suas conclusoes...