segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mas era hora para isso?

A sensibilidade é algo espetacular. O mundo é melhor, acreditem, porque há pessoas sensíveis às grandes e pequenas causas. Mas, nobres leitores e amigos deste espaço virtual, é preciso ter equilibrio também. Esse tem que ser (sempre) seu aliado de primeira hora! Bem, vocês vão entender... A história de hoje aconteceu com um de nossos craques, tempos atrás. Em grande fase, ele estava prestes a receber o prêmio de melhor do mundo no ano da FIFA (Federação Internacional dos Fantásticos Artilheiros). Afinal de contas, o nobre atacante se destacou em todas as partidinhas que entrou em campo.

Uma dessas começou no messenger e depois de algumas tecladas, o "clima" já era nítido. Nosso amigo, bravo e exímio matador, estava conversando com a melhor amiga de sua prima, que na época viajava pela Europa. Na resenha, onde o apito inicial do senhor juiz era iminente, nosso craque recebeu um convite da sapequinha: ir à festa de aniversário dela para representar a prima, que era a melhor amiga da aniversariante, mas estava no Velho Continente.

E assim foi feito. Depois de encarar um dia de trabalho e chegar em casa exausto, nosso camisa 17 foi logo surpreendido com a ligação da aniversariante: "Cadê você que ainda não chegou? Você tem que vir representar a fulaninha!!", disparou a danada da vez, como se fosse uma ordem.

Nosso craque vestiu a camisa, calçou as chuteiras e partiu para a boate onde o aniversário estava sendo comemorado. Apesar de só conhecer a aniversariante, o artilheiro enturmou-se rapidamente com os amigos dela. Na pista de dança, o grande momento. Dois pra lá, dois pra cá e pimba: o primeiro beijo na melhor amiga da prima. Minutos depois, o novo casalzinho, feliz da vida, voltou à mesa, onde poderiam beber e conversar mais tranquilamente. Foi quando, incríveis amigos do blog, algo aconteceu. Um misto de sensibilidade e... sensibilidade invadiu a danada. Ela se deixou levar... que erro!

Sem desconfiar de nada, o artilheiro chegou com a mocinha na mesa, onde já estava um casal de amigos dela. Para espanto do matador, a aniversariante foi mudando o semblante e iniciou uma conversa inesperada:

- "Eu gostava tanto da sua vozinha, que pena que ela morreu. E eu não fui nem no enterro" -, disse a aniversariante para a amiga.

A frase foi seguida por uma lágrima tímida, mas que segundos depois transformou-se em choro compulsivo.

Um pouco sem graça, nosso artilheiro não sabia o que fazer. Tentou "acalmar" (!!!), mas foi pior. A sapeca começou a soluçar, fazendo um estardalhaço ainda maior e já chamando a atenção de outras mesas.

Quando nosso centroavante se deu conta do tamanho do problema, o cenário era o seguinte: garçons e pessoas da mesa ao lado em volta da mesa oferecendo até guardanapo para a chorona, que continuava: "Ela era muito legal... buááááá".

Sim, era a festa de aniversário dela e nosso craque lá.... bem, sem saber o que fazer, o artilheiro fez cara de paisagem até a cena terminar. Por fim, pagaram a conta e foram embora, cada um para o seu lado.

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Ao chegar em casa, claro, nosso craque riscou o nome da moça da listinha do mais belos gols. Repetir a dose? Nem pensar. Se na festa do próprio aniversário, a moça apronta uma dessas, imagine depois do "vamo vê"!

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domingo, 19 de setembro de 2010

Quando abriu a boca...

Lembram um post recente em que mostramos que é difícil uma relação ter sucesso se houve um abismo intelectual entre o casal? Pois bem... voltaremos a versar sobre isso. E essa é para questionar se foi verdade mesmo. Entenderemos as possíveis manifestações.

Mas o fato é que nosso craque estava em uma rodinha de amigos e amigos dos amigos. Sim, claro, havia amigas também. E uma das mocinhas, "morena, linda, linda", chamou a atenção da fera das quatro linhas.

Nosso amigo nunca a tinha visto antes e logo ficou interessando. Mas a sapeca era quietinha, quietinha... mal abria a boca!

Aliás, isso parece ser uma marca das mocinhas de intelecto débil. Ficam caladas, caladas, sem saber o que dizer. E quando abrem a boca... ai, ai, ai!

O papo da roda era sobre carros, aviões e motos. Um assunto recorrente quando se tem 16, 17 anos. Nosso amigo, inclusive, estava nessa fase. Era ainda uma mera promessa da divisão de base na Copa do Mundo da Azaração.

Lá pelas tantas, alguém soltou:

- Cara... adoro Harley-Davidson!

Foi aí que a mocinha se sentiu no direito de fazer seu primeiro aparte.

- Po, sei quem é. São meus amigos lá de Irajá. Eu gosto do Harley, mas o Davidson é cheio de marra...

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Todos se entreolharam e houve quem não conseguiu segurar o riso, ou melhor, as gargalhadas!

Podem duvidar, mas aconteceu.

E depois disso, claro, nosso craque mudou o foco e foi tentar uma arrancada em outro terreno.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O craque da rodada

O conceito de Camisa 10 é para ser debatido (e divulgado) muitas vezes. Camisa 10 pode ser homem, pode ser mulher, não importa. Sua função principal é servir o artilheiro, dar aquele passe na medida para o craque balançar as redes. Mas independente de qualquer coisa, confiança é tudo. Vocês vão enteder...

Numa das viagens que fez por esse Brasilzão de Deus, um dos nossos craques contou com um passe daqueles. Durante o final de semana, o jogador já tinha movimentado e muito o placar. Era um encontro de estudantes e tinha moça de tudo que era lugar dessa terra fértil.

O melhor ficou para o final. Na volta para o Rio, nosso matador voltou de ônibus com mais 30 ou 40 estudantes. Foi uma efervecência só. Na rodinha dos craques da Copa do Mundo do flerte, a "ruivinha" era a mais gata da expedição. Durante o final de semana, muitos tentaram, mas ninguém invadiu aquela pequena área. E isso intrigava a todos...

Mas viagem de volta à cidade maravilhosa era longa, coisa de 23 horas, muita coisa ainda podia acontecer. Até a primeira parada, todos estavam em clima de festa. Quando o busão parou, uma amiga do artilheiro, Camisa 10 daquelas, trouxe a informação abençoada:

- A ruivinha veio perguntar se você está solteiro?
- Sério? Claro que estou...
- Acho que ela ficou interessada. Mas não diz que comentei nada com você.

Pronto. Era a senha para mais uma partidinha.

Quando todos voltaram ao ônibus, o atacante tratou de puxar assunto com a danada. Falou um pouco e ficou horas ouvindo. Lá pelas tantas, quando o parte do ônibus já dormia, ele partiu pra cima:

- "Você linda...", disparou.

A moça ficou sem graça, evitou o atacante. Acostumado com o "doce" feminino, ele continuou no ataque.

Não foi fácil. A retranca da ruivinha era de colocar inveja em time regido por Joel Santana. Mas nosso amigo enfim deu o drible fatal...

Horas depois, na segunda ou terceira parada, a tal Camisa 10 chegou perto do craque com um sorrisão.

- Caramba, você pegou a ruivinha?
- Po, ela fez mó jogo duro...

A Camisa 10, então, caiu na gargalhada, para surpresa de nosso atacante.

- Artilheiro, eu juro, ela não me disse nada. Eu inventei aquela história de que ela tinha perguntado por você...

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O craque voltou daquela viagem ovacionado pelos amigos. Afinal de contas, foi ele quem beijou a mais gata da expedição. E tudo por culpa dela!

São por essas e por outras, que a cúpula do ACED recomenda: aconteça o que acontecer, o importante é ter confiança!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um antídoto para o romance

Os artilheiros do A Culpa É Delas consideram que a compatibilidade intelectual é fundamental para um relacionamento duradouro. O casal pode ter mil diferenças: um gostar de rock e o outro de samba. Ok, dá pra conciliar. Ele pode adorar carne e ela ser vegetariana. Ok, é cada um no seu restaurante. Um pode torcer para a Argentina e o outro pra o Brasil. Sem problemas, Copa do Mundo é só de quatro em quatro anos. Mas quando há uma diferença intelectual abissal entre os dois, o caso fica fadado a um triste fim.

Vejam o que aconteceu com um craque carioca. Ele conhecia uma mocinha danada há algum tempo e já tinha saído com ela umas quatro ou cinco vezes. Um belo dia, o matador aceitou um convite de um casal de amigos para ir numa roda de samba na Lapa. Ele, então, chamou a fulana para ir junto.

A sapeca já tinha cometido umas gafes, mas até aí tudo bem. Até então nada que incomodasse. Às vezes, achava até que ela fazia de brincadeira. Mas a verdade ficou evidente naquela noite. Depois da roda, eles pararam para comer algo e, durante o jantar, conversaram sobre a cidade, sua beleza, os pontos turísticos e acabaram falando sobre a pobreza e desiguladade social. O casal, amigo do artilheiro, era bastante ligado ao assunto, estudiosos com pós-graduação e mestrado em temas relacionados.

Durante todo o tempo da conversa, a sapeca que acompanhava o craque ficou calada, não deu uma opinião sequer. E não pensem vocês: "tadinha, ela não estudou, não teve oportunidade". Que nada! Notem que o tema pode parecer chato para muitos, mas é algo que faz parte do cotidiano de quem vive nas grandes cidades desse país. Por bem ou por mal, alguém sempre tem opinião sobre o assunto. Menos a sapequinha.

Após o jantar, eles caminharam até a Cinelândia, onde seus carros estavam estacionados. A mocinha parecia incomodada, queria dizer algo mas não sabia o quê. O estalo surgiu, para surpresa geral, quando passaram pela grande praça que há no final da Avenida Rio Branco. Quase no final da Rua do Passeio (onde em sua esquina com a Rio Branco está o famoso Cine Odeon), ela avistou uma grande estátua: um homem magro, envolto em uma manta e caminhando com a ajuda de um bastão.

Ao ver a estátua, ela encheu o peito de ar e fez então seu grande comentário:

- Eu acho que a pobreza é um problema sério. Mas não concordo com o governo fazer uma estátua de um mendigo e colocar aqui, bem no centro da cidade - disparou.

O casal olhou para moça, que fez cara de séria. No segundo seguinte, olhou o artilheiro, que olhou para o céu, fingindo não ter percebido o comentário.

É que a estátua do tal mendigo, na verdade, era do líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, que dá nome à praça.

***
O constrangimento só foi desfeito com o tempo. O casal ainda teve a pachorra de corrigir a desinformada: "Não, esse o Gandhi, fulana". A moça fez cara de paisagem e nosso atacante temeu que ela emendasse com: "Sei. Daquele grupo de afoxé baiano, né?!"

O romance terminou dias depois... sem deixar saudades! Por fim, ficamos com uma enquete e uma frase de Gandhi: "As enfermidades são os resultados não só dos nossos atos como também dos nossos pensamentos".

E vocês, caros leitores e inimigas do blog, também acham que essa diferença atrapalha o romance?

(a) Sim
(b) Não
(c) Que diferença? Não entendi nada da história...